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O futuro do trabalho já chegou

Escrito por: Juliano Colombo.


Recentemente, o Fórum Econômico Mundial publicou a edição de 2025 do relatório The Future of Jobs. O documento reforça algumas tendências que já são sentidas há alguns anos no futuro do trabalho.



É previsto que milhões de novos empregos serão criados e, mesmo com as vagas que serão extinguidas, o saldo deve ser positivo a nível mundial, sendo esperado um crescimento líquido de 78 milhões de postos de trabalho até 2030. Essa criação de vagas está diretamente ligada a grandes movimentos que estão transformando a realidade mundial e afetarão cada vez mais o nosso dia a dia, os quais são citados no relatório:

  1. Mudanças tecnológicas: O aumento do uso de tecnologias digitais, sobretudo inteligência artificial (IA) e automação, é a tendência mais citada, com 60% dos empregadores esperando que ela transforme seus negócios nos próximos cinco anos. Consequentemente, a demanda por profissionais de IA e big data deve aumentar.

  2. Transição verde: A adoção de estratégias para mitigação das mudanças climáticas impulsionará empregos em energia renovável e sustentabilidade. 47% dos empregadores antecipam o aumento de esforços e investimentos em descarbonização, uma das prioridades para a transição verde.

  3. Mudanças demográficas: O envelhecimento da população em países de alta renda aumentará a demanda por profissionais de saúde, enquanto o crescimento da população em idade ativa em países de baixa renda impulsionará a necessidade de profissões ligadas à educação. No caso do Brasil, teremos os dois cenários acontecendo simultaneamente.

  4. Fragmentação geoeconômica e incerteza econômica: Tensões geopolíticas e pressões econômicas influenciarão modelos de negócios, com algumas empresas e países adotando estratégias de offshoring ou reshoring, ou seja, transferindo para outros países ou retornando suas operações para o país de origem, respectivamente. A pandemia de COVID-19 foi a grande propulsora dessa desglobalização, trazendo de volta estratégias protecionistas e de nacionalismo econômico.


Estes movimentos trazem obrigatoriamente a necessidade de evolução das habilidades e competências dos profissionais. Os empregadores entrevistados no relatório estimam que 39% das atuais habilidades dos trabalhadores podem se tornar obsoletas até 2030, sendo a demanda por competências tecnológicas e habilidades humanas, como pensamento analítico, resiliência, flexibilidade e agilidade, impulsionadas.


Para poder surfar a onda da transição verde, por exemplo, os trabalhadores terão que se requalificar. Em pesquisa conduzida pelo Manpower Group em 2024, empregadores já haviam estimado que as hard skills deverão mudar no mínimo em 54% para acomodar práticas mais sustentáveis no ano corrente. Uma revisão das formações promovidas pelos países também deverá ocorrer para que as estratégias de desglobalização sejam efetivas.


Mas este não é um problema futuro. Segundo o relatório, hoje, 63% dos empregadores já identificam a falta de habilidades como principal obstáculo à transformação de suas organizações, destacando a necessidade urgente de iniciativas de requalificação e aprimoramento profissional. Esta lacuna de habilidades é um problema que é agravado no adulto, mas já é sentido no público jovem. Estudo do economista americano Eric Hanushek de 2022 estima que mundialmente dois terços dos jovens não possui as habilidades básicas de matemática e ciências necessárias para participar da economia moderna.


Todos estes movimentos tornam cada vez mais complexo desenvolver, atrair e reter talentos. As empresas, independente do setor em que atuam, terão que desenvolver suas próprias estratégias para que possam sobreviver e se manter competitivas ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, os governos, nas suas diversas instâncias, terão que investir em políticas públicas que criem as condições para a permanência dos talentos e, logo, das empresas em seus territórios. Educação de qualidade, acesso a saúde e cuidado, segurança e mobilidade, serão cada vez mais fatores que definirão a prosperidade de uma cidade, de um estado e de um país.

 

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